(post muito longo, mas o parto foi tão bom que não o posso dividir, tudo foi bom!)
Na segunda-feira, dia 14/07/08 acordei meio nauseada. Já tinha acontecido noutros dias por isso nem liguei.
Fui levar o Peste à escola, fui ao Pingo Doce (algo me dizia que era melhor ir às compras logo de manhã...instinto?). Não fui beber café de tão mal disposta que estava. Começou a crescer ansiedade dentro de mim, uma boa disposição como já não tinha há semanas e uma energia estonteante. Não fazia ideia porquê, mas sentia-me assim.
Por volta do meio-dia começo a sentir uns "raiozinhos" de dor, muito sumidos, muito fugidos, nas costas. O Pilonquê estava muito calmo......Almocei e continuava a sentir "aquilo". Não sabia se era dor de costas, não era nada parecido com as primeiras contracções do Peste, por isso não dei importância. Mas pelo sim pelo não e porque o instinto fala mais alto comecei as minhas subidas/descidas de escadas e decidi ir passar a ferro. Queria-me manter em pé. Queimei-me tal como na gravidez do Peste.
Por volta das 14h já não tive dúvidas, a dor já se sentia e soube que tinha entrado em trabalho de parto. Farta de subir e descer escadas, liguei o dvd do concerto dos Bon Jovi e à falta de ideia melhor pus-me literalmente a dançar na sala! Estava tão bem disposta! Ia conhecer o T. e por estranho que pareça, embora tenha dito sempre que queria que ele nascesse de manhã por causa do Peste, estava mais tranquila assim. Se fosse de noite sabia dele em casa com a minha Mãe a dormir. De dia ia estar sempre a pensar no que estaria a fazer, se já tinha saído da escola, o que estava a fazer em casa, quem lhe daria banho, enfim....preocupações dispensáveis durante um parto! lol
De 5 em 5 minutos lá sofria eu um bocadito, tudo suportável ainda. Já do Peste as contracções começaram logo de 5 em 5 minutos, a mim o útero não dá descanso. Às 16h fui buscar o Peste à escola. Toda eu já me contraía com cada contracção e na escola só me diziam que era louca! Louca, não, eu sei o que estou a fazer, conheço o meu corpo, estou calma e tranquila.
Viemos para casa, jogámos à bola e as dores cada vez mais fortes. Já tinha avisado o Marido que hoje rumaríamos à Maternidade, mas para saír na hora dele, tranquilo.
Perto das 17h30 já não me sentia bem à frente do Peste, toda eu me contraía, dores insuportáveis e ele ver-me assim a cada 5 minutos não achei bem. Vim para dentro, tomei um banho e o Maridão e a Amma ficaram a brincar com ele.
Às 18h e pouco liguei à obstetra que me disse para ir para a Maternidade que iria lá ter comigo. Disse ao Marido para vir tomar duche e para dar banho ao Peste que a seguir íamos embora. Tratei de pormenores da minha mala, orientei a minha Mãe sobre o Peste e por esta altura as contracções já eram de 3 em 3 minutos e tinham uma duração de cerca de 30 segundos.
Chegámos à Maternidade já passava das 19h. Fui bem recebida, a enfermeira levou-me para a "minha" sala de parto e fez as perguntas de rotina. Não tive de fazer clister, nem me "raparam". Maravilha! Ligou-me ao CTG e fez o toque: 2 para 3 dedos de dilatação. Ligou à médica para lhe dar a informação.

Toda eu era boa disposição. Disse que não queria epidural, estava a suportar bem as dores.
Por esta altura, já passava das 20h, tinha contracções de 2 em 2 minutos, sendo que cada contracção durava 1 minuto, eu tinha 1 minuto para me recompor. O Marido estava calmo, mas via-se na cara dele que queria fazer algo para me ajudar......
A médica chegou, nova avaliação, 3 para 4 dedos. Continuei a recusar a epidural, embora nesta altura já me estivesse a custar horrores, porque entretanto os batimentos cardíacos do Tomás estavam muito acelerados e tive de me deitar de lado para ele acalmar.
Passado pouco tempo, rebenta-me a bolsa de água e a partir daqui senhores......................Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Juntamente com as contracções agora tinha uma dor horrível cá em baixo, pressão do Tomás.........

Aquele minuto para recompor não chegava, estava de rastos e não, 1 minuto não chega para respirar, para nada.....
A médica pergunta se quero fazer chichi, disse que sim, nem que fosse para me levantar....a enfermeira diz que ia buscar a arrastadeira, mas a médica (ai o que vale a pena ser a nossa médica...) diz, não vamos deixá-la ir que ela prefere e gosta mais.
Lá me arrastei para o wc......só enquanto fiz chichi tive duas contracções, senhores, já não estava a aguentar...
De volta à cama, nova avaliação, 4 dedos.....ai...a enfermeira pergunta se não quero mesmo epidural, já que eu já nem respirava e elas bem me ajudavam! E quando remata que o anestesista ainda demoraria cerca de 20 minutos a chegar........disse sim, quero...não aguento nem mais 1 hora assim. As enfermeiras bem diziam que realmente eu não tinha muita "sorte" com as contracções, porque eram demais...............
Lá veio o anestesista, entrou no quarto e espetou-me um beijo na cara! Tão bem disposto! Que maravilha! Lá me drogou e me deu muitas festas na cara. Conversou comigo. Todos sabiam o meu nome e o nome dos meus filhos. Que diferença! Ligou o MP3 e ficámos com música ambiente no quarto....Saíu e voltou com um copo de água para mim e deu-me festinhas na cara. Não tenho palavras para tanto carinho, Dr. Paulo...
Às 23h e qualquer coisa, nova avaliação, dilatação completa, mas o T. continua subido. A médica diz que estou pronta para ver o meu bébé mas que com a cabeça dele, ele estar subido e a minha estrutura que iria ter de recorrer a uma ajuda, a ventosa. Não valia a pena eu estar ali em sofrimento porque ele estava muito subido ainda. Perguntou se queria Morango ou Kiwi (lol, se vermelha ou verde, mas só depois é que percebi) e escolhi Kiwi.
Chegou o Pediatra, o Anestesista e a enfermeira. Estava na hora.
Tinha o meu Marido (tão bom) do meu lado esquerdo, o pediatra ao lado dele. O anestesista do meu lado direito. A médica e a enfermeira à frente.
Todos me acarinhavam, todos estavam bem dispostos, todos ~me encorajavam e me ajudavam no momento de fazer força. Que bem que ela faz, dizia a médica.
Às 23h43, ao 4º puxão sai o meu Pilonquê e é imediatamente colocado em cima de mim. Olho para ele, ele abre os olhinhos e olha para mim e..............não há palavras para descrever este momento, agora também partilhado pelo Pai. Toquei-o, senti a pele dele e dei-lhe as boas vindas. Para o Pai, disse, é igual ao Peste, igualzinho.......
O Pai cortou o cordão umbilical e o Pediatra levou-o para aspirar, pesar e afins.

Peso: 3.320kg
Comprimento: 50cm
Perímetro cefálico: 36 cm (ah, pois é...)
Indíce Apgar: 9 / 10
E assim foi o meu parto maravilhoso no Hospital da Cruz Vermelha. Só posso agradecer todo o carinho das enfermeiras (todas sem excepção) das auxiliares, do Anestesista, do Pediatra e claro da minha Obstetra! Eu tinha a alcunha de gira e bem-disposta porque só me ria. Recebi os parabéns por parte de toda a equipa, pelo lindo rapaz que nasceu e por me ter portado lindamente durante todo o trabalho de parto e sem dúvida que disseram que boa disposição ajuda.
O T. foi vestido e novamente colocado em cima de mim, mas como não parava de tremer e estava muito roxo teve de ir para o berçário aquecer. O Pai foi com ele e ficou com ele o tempo todo.
A obstetra tratou de mim, não fez episiotomia, mas fiz uma pequena laceração que levou 3 pontos. Agora pergunto, sendo eu a mesma pessoa, mesma estrutura, tendo tido dois filhos com um Perímetro cefálico de 36 cm, porque é que no 1º me cortaram toda e me deixaram montes de tempo a fazer força para no fim aplicar a ventosa e desta vez não me cortaram nem 1 vez e aplicaram logo a ventosa e ao 4º puxão ele sai? São as diferenças...........
Cheguei ao meu quarto, trouxeram logo o T. que mamou assim que foi colocado ao peito. A princípio não estava a pegar, mas com a ajuda da enfermeira pegou e mamou e mamou de que maneira!!!!!!!!!!!!!!! Feliz, feliz, feliz estava eu e estou porque ele continua a mamar bem e do meu peito sem artefactos e que bom que é...
Já vos disse que estou Feliz? Já vos disse que amei o meu Parto? Já vos disse que estou a amar ser Mãe de dois?
E para quem chegou ao fim deste longo relato:
