Sou Mãe, com todos os sentimentos que este privilégio concede.
Sou Galinha, sim e admito que sou. O Peste é o que de mais importante tenho na vida, tenho pavor que algo lhe aconteça, tal como qualquer Mãe.
Sou Possessiva, sim. Mas também o sou com o Maridão. Já o sou com o Pilonquê. São meus. Ponto final.
Sou Super-Protectora. Não, não sou. Sou protectora q.b. Protejo nas alturas que acho que devo proteger. Se puder poupá-lo a algum sofrimento, poupo-o, qual a Mãe que não o faz? Mas não sou daquelas que ampara todas as quedas, não sou daquelas que anda atrás dele e passa o tempo a proibi-lo de trepar, brincar, correr só porque pode caír e magoar-se. Não, não sou assim. Aliás, pelo contrário, gosto que ele seja aventureiro e não tenha medo, eu era assim. Só me chateia a berraria que é quando se magoa e depois é tão vítima que coxeia ou não usa o braço onde se aleijou.
Sou Babada. Sim, muito! Tenho muito orgulho no meu filho. Tenho orgulho na sua inteligência, na sua sensibilidade, no seu sentido de justiça, na sua prontidão em ajudar o próximo. Tenho orgulho na sua aptidão para o desporto, na sua fragilidade, na sua perspicácia. Tenho muito orgulho no meu filho, muito mesmo!
Sou altruísta. Sim. Já fui mais egoísta ou possessiva ou lá o que lhe queiram chamar com ele. Lembro-me dele em bébé e a minha Mãe estar sempre a dizer que ficava a tomar conta dele se eu quisesse ir às compras, jantar fora ou ao cinema. Rara foi a vez que tomou conta dele até ele fazer 1 ano, 1 ano e meio. Sei lá porquê. Bom, sei, eu queria-o sempre ao pé de mim, queria senti-lo junto de mim e a Mãe era eu logo eu é que tinha de tomar conta dele. Escrevo era, mas sou assim ainda e penso assim, mas muito mais moderada. Aprendi a soltar-me e desde que ele fala e opina que lhe dou a escolher o que o faz mais feliz. Não o obrigo a vir jantar fora comigo e o Pai se ele prefere ficar com a Amma e o Afi. Que prefere quase sempre, sabe que brinca mais e tem um serão diferente. No Restaurante tem de portar bem e já não tem tanta piada. Compreende-se.
Aprendi a ser muito mais altruísta e não foi difícil, porque aprendi que ao deixá-lo escolher, ele está a fazer o que o faz ficar feliz. Ele fica feliz, vejo-o no brilho dos seus olhos e no sorriso traçado nos seus lábios. Sem contar na auto-estima que lhe incuto e construo ao deixá-lo escolher o que Ele quer fazer. Que mais quero? Qual a maior recompensa que posso ter como Mãe? Saber o meu filho Feliz!
Lógico que todo o tempo livre que temos passamo-lo com ele, claro. Temos os fins de tarde e os fins-de-semana sempre juntos. Os 3. Brevemente seremos 4. Mas eu não vou obrigar o Peste a ficar em casa em pleno Verão só porque eu ainda não recuperei do parto ou porque está demasiado calor para ir para a praia com o bébé. Não sou Mãe de achar que recém-nascido tem de ficar em casa. Nada disso, o Peste mal eu recuperei começou a passear. Mas convenhamos que se estiver demasiado calor e claro, depende do sítio escolhido para ir, eu provavelmente não irei com o bébé. Mas isso não impede o Peste de ir passear com o Pai. Não, nem pensar que sou egoísta/possessiva ao ponto dele ter de ficar em casa ao pé de nós, só porque nós não podemos saír. Não, não acho que a família TEM de estar junta. Acho até que irá ser um período em que ele vai criar um belo vínculo com o Pai e não tenho receio nenhum de perder algum vínculo com ele. Porque sei que não. Cada um de nós tem um lugar na sua vida e no seu enorme coração.
Aliás, vejo o quanto fortaleceu a relação dele com a minha Mãe, enquanto estive de muletas e não podia conduzir. A minha Mãe é que o ia pôr e buscar à escola e ele adorou esta quebra na rotina, até o caminho para a escola era diferente. Quando o tempo permitia a minha Mãe jogava à bola com ele no jardim, regavam as flores, davam de comer aos peixes e biscoitos aos cães. Eu estava por ali perto, tentava jogar à bola (louca!) mas ele não queria, dizia que só quando tirasse as muletas é que podia. Observava-os e ficava de coração cheio. Ele está feliz, está bem entregue. Não vou dizer que não sentia uma pontinha de cíume ou inveja, porque claro que queria ser eu a fazer aquelas coisas, mas depois pensava: porque é que ele não há-de ter estes momentos/rituais com a Amma? Porque é que hei-de vedar por puro egoísmo uma relação tão bonita entre Avó e neto, relação que os faz tão, mas tão Felizes?
Cresci, sim cresci muito e não tenho vergonha de o admitir. Vivemos aprendendo, eu estou em constante aprendizagem e esta lição aprendi. Não o posso ter numa redoma, não o posso proibir, nem quero!, de estabelecer estes vínculos tão fortes que ficarão com ele para a posteridade.
Agora estou bem, jogamos à bola todos os dias, mas se a minha Mãe aparece, ele convida-a logo para o jogo. E depois vão regar as flores e dar comida aos animais. É uma rotina deles e eu observo-os feliz!
Não digo que esteja preparada para o deixar ir para uma festa de anos sózinho por exemplo. Não estou, por enquanto e ainda bem que nem sequer surgiram ainda convites. Talvez aos 4 anos e depende de eu conhecer bem os pais ou não. Ah, pois, que isto hoje em dia não se confia em ninguém.
Não estou descansada com ele na praia, não por não confiar em quem toma conta dele, mas por não confiar em todas as restantes pessoas que por ali passeiam. E sim, todos os dias lá irei espreitar, porque só assim me sinto bem.
Não digo que não entro em parafuso cada vez que penso que vou estar 2 noites/dias quase sem ele quando for para a Maternidade, porque estaria a mentir. Fico com a mente ofuscada, forma-se uma névoa cada vez que penso nesses dias, mas sei que estará bem entregue, sei que terá quem lhe dê os mimos que não vou dar, sei que terá quem lhe dê os beijos de boa noite e lhe sussurre no ouvido que a Mãe o Ama Tanto, Tanto, Tanto.
E quando regressar a casa compensaremos os momentos perdidos, mimar-nos-emos como só nós sabemos e tudo ficará bem. Estou mais tranquila.
Sou Feliz. Sim, sou uma Mãe Feliz, ele faz-me feliz, ele dá sentido à minha vida.
Hoje, meu Pestinca lindo, Amor da minha vida, Paixão do meu Ser, Sol da minha Vida, completas 8 meses aos teus 3 anos que tanta felicidade me trazem. Amo-te Tanto, Tanto, Tanto!