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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A tua cara é como a minha?

Pergunta ele ao pequeno-almoço. Respondo que sim, mais ou menos pois não há caras iguais, mas sim temos o mesmo formato de cara, que é oval.

Então já sei o que lhes respondo, digo que se gozam com a minha cara assim, também estão a gozar com a minha Mãe e isso é feio!

Caramba, espero que hoje o deixem em paz! Ontem não quis aprofundar nem alongar a conversa, não quis que ele desse demasiada importância, mas se hoje me vem com a conversa outra vez, não sei, tenho de aprofundar esta questão da auto-estima bem como o bom que é sermos todos diferentes.

Hoje ao despedir-me dele na escola em vez de lhe dizer para se divertir e brincar muito, disse-lhe para não se esquecer do quão lindo que ele é por dentro e por fora.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não gosto nada de mim

Hoje disseram que eu tinha a cara fina. E que tenho os olhos juntos. Quem me dera ser mágico e ter uma varinha mágica para me mudar. Eu disse que sou magro em todo o lado, então também tenho a cara magra.

Foram estas as primeiras palavras que me disse quando o fui buscar hoje. E foram estas as palavras que me disse agora mesmo, deitado na cama para adormecer. O que isto me entristece e revolta.
A primeira coisa que lhe perguntei foi se respondeu de volta. Que tem de se defender porque se não nunca mais o largam. Depois expliquei que o importante não é o aspecto físico, mas sim o interior, o que está no nosso coração. E por fim disse que os e as colegas deviam era ter inveja porque certamente adorariam ter o seu cabelo cor de oiro, os seus olhos verdes raiados de azul e o seu sorriso, meu Deus que sorriso.

É que se houvesse razão para o estarem a magoar, mas não há e não é por ser Mãe dele, mas o miúdo é lindo, mesmo bonito.

Não sei se tratei bem do assunto ou não, é um assunto que me magoa muito porque fui alvo de muitos maus tratos verbais na infância, adolescência e afins. O ser humano é mesmo cruel. Sempre receei que eles fossem gozados por minha causa, porque não os quero numa posição em que estejam a ser massacrados à minha conta, mas aí percebia...agora à conta da linda cara que ele tem? Não entendo.

sábado, 9 de maio de 2009

Já está

Dois sacos cheios de brinquedos para dar. Ao princípio ele estava de trombas, mas depois já ajudava a pôr brinquedos. Reparei que nem se importou com a maioria das coisas, pudera, não lhes pega há meses.
Aos poucos vai perceber que se não brinca com o que tem, também não terá brinquedos novos. E aos poucos vai ter de aprender a brincar, sim, a brincar com os brinquedos. Apercebi-me, ou acho, que ele não sabe brincar só com os brinquedos porque nós sempre brincámos com ele.
Até agora isto nunca me fez muita confusão, gosto de brincar com ele e gosto que ele goste da nossa companhia, mas aos 4 anos e meio já me faz confusão que ele não se entretenha sozinho.
Dei muito conta disto agora quando ele esteve com varicela e sempre que eu ia dar de mamar ou adormecer o Picoé, tinha de o colocar em frente à tv ou no computador para estar sossegado e calado um pouco (e mesmo assim.....).
Não conheço casa nenhuma que funcione como a nossa, com um dos pais sempre a brincar com o miúdo. Ele só está "sózinho" quando vê tv/dvd ou joga computador e isto é sempre por tempo muito limitado.
Ser criança é a melhor altura das nossas vidas, quero que ele aprenda a entrar no mundo do fantástico, que use e abuse da sua imaginação e quero que brinque com os brinquedos como todas as crianças fazem.
Aos poucos e poucos....óbvio que não vamos deixar de brincar com ele, nada disso, seremos sempre presentes e teremos sempre tempo para ele, mas quando vejo o Picoé entretido com os brinquedos dele, faz-me confusão que o Peste não se entretenha com os dele. Claro que são personalidades diferentes, muito diferentes, mas o Peste tem de aprender a brincar sozinho com os brinquedos dele, nem que seja por 20 minutos...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ser Mãe não é fácil

Estou cansada. Física e mentalmente. Estou farta de estar em casa. Estou cansada. Talvez por isso hoje tenha acordado do avesso e com pouca paciência.

Já disse aqui umas quantas vezes que o Peste não brinca sózinho. Desde sempre precisou de companhia para brincar. De crianças ou de um adulto. Outrora era só eu, hoje em dia tanto faz, desde que tenha companhia. Aos 4 anos e meio ser assim não sei se é mesmo feitio ou se me deva preocupar.
Hoje matutei nisto o dia todo. Talvez porque estamos em casa há 5 dias e não fiz outra coisa se não brincar com ele ou andar de volta do Picoé, que diga-se de passagem, entretém-se mais com os brinquedos que o irmão. Hoje brinquei pouco com ele. Brincámos no tapete dos carros e fizemos umas actividades num livro que ele gosta. Hoje disse-lhe que ele tem de brincar com os brinquedos dele. Estou cansada de o ver na sala todo o dia de volta dos brinquedos do irmão, de volta do irmão ou em cima de mim. Ele não brinca e eu não acho normal.

Lembro-me que em miúda passava horas a brincar no quarto. Ninguém dava por mim. Lembro-me da minha irmã (10 anos mais nova) brincar no quarto dela com as coisas dela com esta idade. Lembro-me que ela não ficava tanto tempo sózinha porque precisa de falar com alguém e ainda hoje em dia é assim. Mas brincava com os brinquedos dela, no quarto dela. Não me lembro de ver os meus pais a brincar com ela constantemente. Eu não faço outra coisa que não brincar com ele. E estou cansada.

Uma coisa é reservar tempo para eles, que o faço e sempre fiz e sempre seria meu intuito fazer, outra coisa é passar todo o santo dia no chão com eles. Talvez seja por estar há muitos dias em casa que me sinto assim. A verdade é que lhe fiz um ultimato. Disse-lhe que se amanhã não brincasse com os brinquedos dele, que passaria os brinquedos do irmão para o quarto e assim brincavam lá os dois. E disse que iria tirar brinquedos dele e dar aos meninos pobres que não têm brinquedos. Talvez o problema seja a demasia. Mas não acho. Tanto acho que é feitio, como acho que é dependência. E acho que não sabe brincar sózinho. Nunca brincou. Eu sempre estive lá. Ou o Pai. Será que fizemos mal?

Será preocupante o facto dele não brincar sózinho? Nem que seja por 20 minutos, meia hora? Já não pedia mais nada...



Estou cansada. Ia escrever sobre o martírio da duração das refeições, mas fica para outro post. Estou cansada.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Assim é difícil educar

Na sexta-feira quando fui buscar o Peste à escola a educadora disse-me que ele tinha tido um comportamento péssimo. Chamou "pre**" ao I. e disse "cala-te pindérica" à B.
Caiu-me tudo ali mesmo....até lhe perguntei incrédula se ela tinha a certeza que tinha sido ele.
Ele não tem modelo em casa ou em familiares que lhe incutam discriminação seja de que forma for. Aliás, ele nem sequer tem noção de que há pessoas que fazem distinção entre raças. Não tem mesmo noção. Tem noção de que há pessoas brancas, negras, com olhos à chinês e mais nada. E quanto ao pindérica, bom ou é algo que ouve na escola ou aprende com desenhos animados. Mas eu nunca o ouvi utilizar tal palavra e quando lhe pedi para me repetir o que lhe chamou ele já nem se lembrava de como se dizia.

Com o coração desfeito durante o caminho de casa perguntei-lhe onde ele aprendera tais termos e o porquê de o ter feito. Disse-lhe que não estava a ralhar, mas sim a conversar e que eu queria perceber o porquê dele ter magoado os colegas assim.
Conheço o meu filho, sei os termos que ele usa e sei o que ele sabe e racismo é coisa que ele não sabe o que é.
Lá confessou que o M. lhe tinha dito para dizer aquelas coisas.
Já não sei com qual situação fiquei mais desiludida, se com os palavrões, se com a atitude submissa dele.
Expliquei-lhe tintim por tintim que o que ele fez magoou muito os colegas e que ficaram todos tristes com ele: os colegas, a educadora e eu. Mas com o M. ninguém ficou triste porque ele o mandou a ele fazer as coisas feias. Fi-lo entender que se o M. quer dizer estas coisas ou fazer algo, que ele tem de dizer para ele o fazer então. Fi-lo prometer que ele não volta a fazer coisas feias que o M. lhe peça. O miúdo faz 5 anos daqui a uns dias, espertalhão já tem noção de acto/consequência e toca de mandar o meu menino fazer as coisas, que ingénuo como é e só para agradar o amigo, as faz!

Deixei passar uns dias para escrever este post, mas estou a perceber que o assunto ainda mexe muito comigo. Anda uma Mãe a educar o filho para os amigos deseducarem!

Na 2ª feira ele pediu desculpa à B. O I. não foi à escola. Na 3ª feira (eu não voltei a tocar no assunto) quando o fui buscar ele disse-me que tinha pedido desculpa ao I. e que lhe tinha mandado (não dado lol) um abraço. Assim sim, este é o meu menino!

domingo, 11 de maio de 2008

Do fim-de-semana

Foi para esquecer, o tempo não ajudou em nada......
Sábado brincamos um pouco em casa da Inês e Domingo só saímos de casa de manhã para beber um café, nada mais. Nem eu conseguia, tive cheia de dores cá em baixo o dia todo e só estava bem deitada ou sentada....sei que pode ser sinal dele ter dado a volta, lembro-me de ter sentido isto com o Peste, mas continuo a senti-lo nos mesmos sítios, por isso não sei....

O Peste anda numa fase impossível outra vez que me entristece e muito....quando lhe dá as fúrias dele (e não são poucas por dia, sim por dia) voltou com a mania de nos bater, levanta-nos a mão e por vezes bate mesmo e GRITA! Que coisa, nunca lhe batemos, ficamos tão danados com isto que nem imaginam.....pensava que esta fase já tinha acabado de vez....

Hoje foram duas as vezes, a primeira com o Pai, deu-lhe várias palmadas nos braços e acho que só não deu pontapés porque estava a saír do carro, gritou, chorou, enfim...

Depois do jantar foi outra das birras dele, aos gritos, só porque lhe disse para irmos lavar os dentes para ir deitar, e começou a levantar-me a mão, até que me bateu umas 3 ou 4 vezes.........eu já estava tão mal da barriga, ela a ficar cada vez mais rija por causa dos nervos e tive uma ideia, não sei como, mas tive.
Após a última palmada dele, dei-lhe uma também, levezinho claro que eu sou contra, mas com 3 anos e 7 meses o meu intuito era ensinar-lhe uma lição.
Ele ficou tão surpreendido com a minha reacção que desatou a berrar, gritar, chorar sei lá o que mais. Saí de ao pé dele e fui para a sala à espera que ele se acalmasse. Demorou 10 minutos até me chamar e dizer que o choro já tinha parado.
Lavámos os dentes e fomos para a cama. Ele começou a pedir-me desculpa e eu disse para ele se acalmar que íamos conversar e ler um livro.
Falámos sobre o que tinha acontecido e sobre ambos termos agido mal. Expliquei-lhe que só lhe fiz aquilo para ele perceber como eu e o Pai nos sentimos quando ele nos dá palmadas. Ele disse que percebia e que estava muito triste, ao ponto de começar a chorar novamente.
Esperei que se acalmasse e lemos o livro :"As mãos não são para bater".
Quando acabei já ele me estava a pedir desculpa outra vez e a chorar. Eu também lhe pedi desculpa e frizei novamente o motivo porque o tinha feito e disse-lhe que nunca mais voltaria a acontecer porque eu não bato. Expliquei-lhe que as minhas mãos não são para bater.
Sinceramente acho que ele percebeu, aliás, sei que ele percebeu, porque estava muito sentido e muito triste ao mesmo tempo, percebeu que eu e o Pai sentimo-nos assim quando ele nos levanta a mão.

Ele prometeu que nunca mais ia bater na Mãe nem no Pai (e em mais ninguém acrescentei eu). Eu disse-lhe que sabia que era dificil para ele, porque era pequeno e às vezes quando estamos zangados fazemos coisas que não queremos e sugeri que quando ele quisesse bater em alguém, para bater palmas por exemplo, ou como diz no livro, para saltar ou fazer força contra uma parede.

Fizemos as pazes depois de tudo explicado, demos muitos beijinhos e abraços deitados na cama dele. Fiquei lá com ele um bom bocado hoje, quase até ele adormecer.

Foi sem dúvida alguma, a coisa mais dificil que fiz até hoje no sentido de educar o meu filho. Estou aqui que só me apetece esganar-me, estou nervosa, irritada e com um aperto no coração. Só me consola o facto de saber que ele, pelo menos hoje, percebeu. Não sei quanto tempo durará, mas hoje ele percebeu. Sei que violência gera violência, mas neste âmbito, o intuito era ele perceber como nós nos sentimos quando ele o faz e isso consegui e claro que expliquei que não se deve mesmo bater, mesmo que nos batam.
Sei que nunca mais lhe voltarei a fazer o mesmo, é horrível, mesmo sabendo que não lhe doeu nada, só o gesto é horrível. Só espero que ele tenha mesmo aprendido para eu me poder perdoar....

É mesmo dificil educar. É mesmo dificil ser Mãe. Que péssimo domingo.

Adenda (12/05) - a primeira coisa que me disse quando acordou foi: "Desculpa Mãe, desculpa a coisa de amanhã (leia-se ontem) de ter batido".....vieram-me as lágrimas aos olhos, ele percebeu, ele não está zangado comigo, mas triste pelo que fez...pedi-lhe desculpa também e disse para esquecermos o que se passou...sinto-me um pouco mais leve...

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Dou-te

Agora, às vezes quando faço alguma coisa que ele não quer, estilo ataque de cócegas em que ele implora que eu pare e eu rio-me, ou mexo nalgum brinquedo que ele não quer, às tantas zanga-se e diz: "eu dou-te, eu dou-te"! À primeira vez, pensei para mim, que raio de expressão, onde foi ele buscar isto? À segunda vez de ouvir aquilo, ele com o dedo indicador apontado para mim, perguntei-lhe: Dás-me o quê, filho? ao que ele não respondeu e ficou a olhar para mim.....eu disse: dás-me beijinhos, não é coração? Dá lá, dá! E ele deu!

Fiquei feliz por ele não ter respondido, não gosto de pensar que ele ache que aquela expressão é sinónimo de palmadas ou seja lá o que for, mas por que raio apanhou ele esta frase e a associa a estar zangado, a ralhar?

Claro está, perguntei à educadora! Ela diz que há 2 meninos que batem muito um no outro e nos outros e usam expressões deste género......estava lá um pai que diz que a filha ainda ontem lhe deu uma palmada na cabeça e disse: gostas? não gostas, pois, não? olha que eu dou-te outra, queres? e ele ficou parvo com aquela atitude da menina doce dele, que por sinal, é minha nora!

Não gosto nada de pensar que há crianças vítimas de palmadas e violência...