Do fim-de-semana
Foi para esquecer, o tempo não ajudou em nada......
Sábado brincamos um pouco em casa da Inês e Domingo só saímos de casa de manhã para beber um café, nada mais. Nem eu conseguia, tive cheia de dores cá em baixo o dia todo e só estava bem deitada ou sentada....sei que pode ser sinal dele ter dado a volta, lembro-me de ter sentido isto com o Peste, mas continuo a senti-lo nos mesmos sítios, por isso não sei....
O Peste anda numa fase impossível outra vez que me entristece e muito....quando lhe dá as fúrias dele (e não são poucas por dia, sim por dia) voltou com a mania de nos bater, levanta-nos a mão e por vezes bate mesmo e GRITA! Que coisa, nunca lhe batemos, ficamos tão danados com isto que nem imaginam.....pensava que esta fase já tinha acabado de vez....
Hoje foram duas as vezes, a primeira com o Pai, deu-lhe várias palmadas nos braços e acho que só não deu pontapés porque estava a saír do carro, gritou, chorou, enfim...
Depois do jantar foi outra das birras dele, aos gritos, só porque lhe disse para irmos lavar os dentes para ir deitar, e começou a levantar-me a mão, até que me bateu umas 3 ou 4 vezes.........eu já estava tão mal da barriga, ela a ficar cada vez mais rija por causa dos nervos e tive uma ideia, não sei como, mas tive.
Após a última palmada dele, dei-lhe uma também, levezinho claro que eu sou contra, mas com 3 anos e 7 meses o meu intuito era ensinar-lhe uma lição.
Ele ficou tão surpreendido com a minha reacção que desatou a berrar, gritar, chorar sei lá o que mais. Saí de ao pé dele e fui para a sala à espera que ele se acalmasse. Demorou 10 minutos até me chamar e dizer que o choro já tinha parado.
Lavámos os dentes e fomos para a cama. Ele começou a pedir-me desculpa e eu disse para ele se acalmar que íamos conversar e ler um livro.
Falámos sobre o que tinha acontecido e sobre ambos termos agido mal. Expliquei-lhe que só lhe fiz aquilo para ele perceber como eu e o Pai nos sentimos quando ele nos dá palmadas. Ele disse que percebia e que estava muito triste, ao ponto de começar a chorar novamente.
Esperei que se acalmasse e lemos o livro :"As mãos não são para bater".
Quando acabei já ele me estava a pedir desculpa outra vez e a chorar. Eu também lhe pedi desculpa e frizei novamente o motivo porque o tinha feito e disse-lhe que nunca mais voltaria a acontecer porque eu não bato. Expliquei-lhe que as minhas mãos não são para bater.
Sinceramente acho que ele percebeu, aliás, sei que ele percebeu, porque estava muito sentido e muito triste ao mesmo tempo, percebeu que eu e o Pai sentimo-nos assim quando ele nos levanta a mão.
Ele prometeu que nunca mais ia bater na Mãe nem no Pai (e em mais ninguém acrescentei eu). Eu disse-lhe que sabia que era dificil para ele, porque era pequeno e às vezes quando estamos zangados fazemos coisas que não queremos e sugeri que quando ele quisesse bater em alguém, para bater palmas por exemplo, ou como diz no livro, para saltar ou fazer força contra uma parede.
Fizemos as pazes depois de tudo explicado, demos muitos beijinhos e abraços deitados na cama dele. Fiquei lá com ele um bom bocado hoje, quase até ele adormecer.
Foi sem dúvida alguma, a coisa mais dificil que fiz até hoje no sentido de educar o meu filho. Estou aqui que só me apetece esganar-me, estou nervosa, irritada e com um aperto no coração. Só me consola o facto de saber que ele, pelo menos hoje, percebeu. Não sei quanto tempo durará, mas hoje ele percebeu. Sei que violência gera violência, mas neste âmbito, o intuito era ele perceber como nós nos sentimos quando ele o faz e isso consegui e claro que expliquei que não se deve mesmo bater, mesmo que nos batam.
Sei que nunca mais lhe voltarei a fazer o mesmo, é horrível, mesmo sabendo que não lhe doeu nada, só o gesto é horrível. Só espero que ele tenha mesmo aprendido para eu me poder perdoar....
É mesmo dificil educar. É mesmo dificil ser Mãe. Que péssimo domingo.
Adenda (12/05) - a primeira coisa que me disse quando acordou foi: "Desculpa Mãe, desculpa a coisa de amanhã (leia-se ontem) de ter batido".....vieram-me as lágrimas aos olhos, ele percebeu, ele não está zangado comigo, mas triste pelo que fez...pedi-lhe desculpa também e disse para esquecermos o que se passou...sinto-me um pouco mais leve...






