É pela Amma, minha Mãe.
Ela foi das primeiras pessoas a quem o Peste foi ao colo sem ser eu ou o Pai, por vontade própria. Acho até que foi mesmo a primeira contemplada com um querer ir ao colo de. Adora-a. Brincam imenso, falam imenso. Ela tem uma paciência infinita. No entanto o Peste em bebé nunca preferiu o colo dela ao meu, ia ao colo dela mas rapidamente voltava para o meu.
É usual quando chega da escola pedir para brincar com a Amma, vão dar comida aos peixes, biscoitos aos cães, jogam à bola, raquetes, às cartas...e falam, falam, falam. Aqui a Mãe-galinha já se rendeu a esta relação e a tudo de bom que trás. Hoje senti-me um pouco triste porque quando chegámos a casa ele disse que não queria brincar comigo, mas sim com a Amma. Diz ele que não brinca com ela há muito tempo. Foi só o fim de semana, mas isso para ele já é uma eternidade. Deixei-o ir e fiquei a pensar, tal como já tenho ficado em outras ocasiões, na sorte que ele tem em ter uma Amma tão presente e amiga. Penso nas maravilhosas recordações que ele vai ter quando crescer destes momentos e no quanto o coração dele vai aquecer ao recordar-se. E esqueço-me rapidamente da minha galinhice e sorrio ao vê-los juntos.
O Picoé não a pode ver sequer ao longe que solta gritinhos, vai a gatinho-correr para perto dela, esbraceja e dá aos pés. Tem uma adoração por ela que eu nunca vi. Nem quando o Pai chega tem esta reacção. Atira-se para o colo dela e não volta para o meu. Tenho de pedinchar muito, muito mesmo, para o ter de volta. Se a Amma chega e não fala logo com ele, reclama com uns gritinhos giros para chamar a atenção, mas sempre a sorrir para ela. Nota-se bem o quanto adora aquele colinho.
É vê-los disputar a atenção dela de uma maneira que nem com os Pais fazem.
É a Amma deles, minha Mãe.
