E ainda estou para descobrir se doeu mais a mim, se a ele ou se ao Pai!
Foi muito bem preparado e ensaiado nestes últimos dias. Não lhe mentimos. Descrevemos todos os pormenores do que se iria passar e disse-lhe que iria doer um pouquinho e que depois ia ficar com uma pintinha, um piquinho no sítio onde entra a seringa. Sei bem o que isto o preocupa e a verdade é que a maior parte das perguntas dele era sobre o tamanho do piquinho, se se ia notar muito, se ia ficar ferida.....
Falámos sobre os pensos rápidos, que ele nunca deixou colocar numa ferida, mas no outro dia viu-me pôr um numa bolha causada por um sapato e eu aproveitei e mostrei-lhe uns de animais que temos cá e disse para ele experimentar pois no dia de tirar sangue teria de colocar um. Tive de explicar muito bem o porquê de ter de pôr um penso. Valha-me Deus que esta criança é tão picuinhas!
Lá brincou com o penso, colou e descolou (na própria pele!!!) e eu toda contente.
Ontem escolheu dois pensos para levar. Um para ele e outro para a Rosa (analista) ter para outro menino que for tirar sangue. Ele estava tão bem, a aceitar tudo tão bem que eu cada vez estava mais nervosa com isto tudo. Estava a achar bom demais, a aceitação demasiado serena e fácil.....Mas, como ele sabia tudo o que se iria passar, explicámos tudo, fizemos a demonstração em casa e claro que o incentivámos que ele era um homem forte e ainda por cima quase a fazer 4 anos....acho que o segredo reside nos 4 anos lolol...ia acreditando que pelo menos a entrada para o laboratório iria correr bem.
Não adormeceu a dizer que não queria tirar sangue, não acordou a dizer que não queria e eu ainda não acreditava nisto, aliás acho que ainda não acredito.
Entrámos no laboratório e ele na boa e eu já numa angústia horrível, umas dores de barriga, pior do que quando sou eu a tirar sangue. O Pai deu-lhe um Gormiti e ficaram a "analisar" o Chefe do Povo do Ar (que sorte, saíu um chefe não repetido!).
A Rosa chamou-o logo e sentou-o ao colo do Pai na sala especial e na cadeira especial. Ficou sentado de lado, após escolher o braço direito para a pica, com as pernas entre as do Pai e o Pai com as dele cruzadas. O Pai a segurar no outro braço e eu na mão direita. Ela põe o garrote (ai o que eu odeio esta palavra e estar a visualizar isto) e vai-lhe dizendo que tem dedos mágicos que têm anestesia que não deixam doer nada. Foi impecável ela.
Eu ia tentando mostrar o Gormiti novo, brincando com ele, mas ele estava vidrado no que ela fazia. Olhou enquanto ela preparava tudo e quando ela espeta a seringa e por consequência eu tive de olhar também (e o que me custou, nunca consegui olhar quando sou eu). Berrou claro quando sentiu a pica e eu ia dizendo para ficar quietinho e a Rosa a dizer que estava quase quase, que ele era muito forte. O Pai olhava para o lado e ele chorava, chorava e eu a controlar as minhas lágrimas para não cairem. Tadinho do meu menino....
Foi tão forte, tão forte, tão forte, mas tão forte! A Rosa disse-lhe que ele se portou melhor que a Mãe e muito, mas muito melhor que a Tia (a minha irmã é do pior que há) e também melhor que o Pai!
Lá o animámos e mostrámos-lhe o sangue, para ele ver a cor do seu sangue, muito escuro, castanho disse ele! A Rosa elogiou dizendo que era um sangue muito vitaminado! Claro, disse eu, ele come muita fruta e verdura, é muito forte!
A Rosa brincou com o penso que ele escolheu ser o Pinguim e disse que o Pinguim teria de ficar deitado, que ia dormir. Eu aproveitei e brinquei com ele dizendo que ele podia fazer uma soneca mas que depois teria de acordar que isto não são horas de dormir. Riu-se, mas passado 2 minutos estava a pedir para tirar o penso.
Demos-lhe outro Gormiti e ficou todo contente!
Correu muito bem, bem acima de todas as minhas expectativas e do Pai também. Foi um corajoso, nem eu com esta idade vou assim de ânimo leve tirar sangue. Espero não ter de haver uma próxima tão cedo porque já não seria tão fácil, afinal doeu-lhe como é óbvio.
Acho que ajudou muito o facto de lhe termos contado tudo e demonstrado o processo, sem mentir nada. Demonstrámos-lhe que ele era muito forte e nós sempre serenos, sem fazer grande caso do assunto, o que para nós é dificil porque tanto eu como o Pai temos pavor a tirar sangue! E claro, o facto de estar quase a fazer 4 anos é um incentivo maior que eu alguma vez pudesse imaginar!
Pior foi quando chegou à escola, a 3 passos de entrar, numa correria parva com o Pai, caiu e esfolou o braço (vá lá que foi o esquerdo) e chorou, berrou, gritou e foi difícil acalmá-lo. Acho que a escola toda o ouviu! Eu fiquei danada, bolas ele vinha tão bem, tirou sangue bem, acalmou-se rápido e põem-se os dois a correr e pimba! Estragou-se tudo! Lá foi a choramingar para a sala e a educadora pegou-lhe ao colo e deu-lhe a escolher um doce porque ele se portou tão bem a tirar sangue. Ele mostrou-lhe o Pinguim a dormir e ela disse que depois o tiraria. Lá ficou bem e despedimo-nos.
Eu estava desejosa de chegar a casa e agarrar no meu Picatchusa. Nunca me separei dele e já ia quase em 1 hora! Claro que já tinha ligado à minha irmã para saber como ele estava (lol)! Ainda não me passou a dor de barriga, isto era uma dupla dor de barriga. Bolas, Mãe sofre! Ter de deixar um para o outro tirar sangue.....que dor horrorosa, ainda estou traumatizada e ainda não consegui acalmar.....o Picatchusa quando me viu esboçou tantos sorrisos e começou logo a espernear! Conversou, conversou, sorriu e esperneou até adormecer o meu rico menino. Tantas saudades que tive e que angústia deixá-lo.....isto não melhora nada com o segundo!