O Parto
Segunda-feira dia 27/09 fui à consulta+ctg na maternidade.
Eram 16h40, despeço-me do Cunca e vou com a minha irmã para lá.
Rapidamente sou chamada para o ctg. Medem tensão, 15/9, muito alta dizem. Medem mais 5 vezes durante o tempo que lá estive e não baixa. O ctg está bem, a acusar contracções já jeitosas.
Pedem para fazer chichi para a tirinha para ver se tenho proteína na urina. Tenho sim.
Espero um bom bocado até a médica chamar. Uma brasileira. Não gostou da tensão, nem da proteína na urina. Faz o toque para ver o colo do útero e se tenho dilatação. Eu acedi e fui para a maca. Bem, até lhe mandei um berro a perguntar o que ela estava a fazer porque me magoou e muito! Fiquei danada!
Depois fez eco para ver o líquido amniótico e a posição da bebé. O líquido ok, mas a bebé ainda muito subida.
Saio da consulta com indicação de me dirigir às urgências para ser reavaliada por causa da tensão. Aqui começam a vir as lágrimas aos olhos, bolas, já eram quase 19h e eu só queria era ir para casa...fui ao wc e qual o meu espanto quando estou cheia de sangue vivo...bolas, raio de toque ela me fez...
Ligo ao Maridão e explico que vou ter de ir às urgências, disse-lhe para tratar dos meninos e dependendo do tempo que demorasse depois de os deitar viria ter comigo.
Vou com a minha irmã para as urgências e a sala de espera cheia de gente. Começo a sentir que as contracções começam a ser algo diferentes, mas nada de especial. Agora estava preocupada com o sangue.
Pelos comentários na sala de espera não chamam ninguém há muito tempo, há uma grávida cheia de dores com contracções de 5 em 5 minutos. Depois surge uma enfermeira que pede muita desculpa mas há 2 cesarianas e 3 partos a decorrer e não há pessoal...
A minha irmã liga ao namorado para ir a minha casa buscar umas sandes, sumo e fruta, um casaco e umas cuecas para mim. Percebi que a coisa ia demorar. Continuo a deitar muito sangue.
Lá chamam a grávida das contracções e outra cuja consulta tinha ficado a meio e que estava lá desde as 17h!
Eram 20h e qualquer coisa quando me chamam. A enfermeira mede a tensão e está mais baixa e quando ia fazer o toque e ver o sangue toca o telefone. Uma médica queria grávidas para atender pois os partos já tinham terminado, parece. A enfermeira manda-me para dentro e eu digo à minha irmã para ir embora e que o Marido depois me viria buscar.
Fui para o ctg e acusa já muitas contracções, mas não doem ainda, só moem.
Quando a médica me vê fica preocupada porque diz que realmente é muito sangue e diz que vou ficar internada, mas o problema é haver 2 camas para 3 grávidas que devem ficar. Disse que já voltava porque ia decidir quem era menos grave para mandar embora. Desato num pranto. Vou ficar? Mas, mas, mas......não tenho nada preparado, não via o David desde as 8h30 da manhã, o Tomás desde as 16h30, não estava mesmo preparada para ficar....
A médica entra e vê-me assim e diz que tenho mesmo de ficar, diz que não me dá alta que não sabe se tenho um descolamento na placenta...eu só digo, mas porque raio a outra me tocou daquela maneira? Quero ir para casa! A médica, muito compreensiva diz que não me dá alta, para eu ter calma, para telefonar e deixar os meninos orientados, que não me deixa mesmo ir para casa...ligo ao marido que entretanto já tinha chegado e digo-lhe que vou ficar.
Ele diz que está tudo orientado em casa, a minha Mãe e irmã estão lá com os meninos e ele deixou todas as indicações e até orientou a roupa deles do dia seguinte e os lanches do David. Deixou as indicações do pequeno-almoço e tudo. Estava com o feeling que eu ficaria, pelos vistos.
Ligo à minha Mãe que diz que dorme lá mais a minha irmã, para eu não me preocupar que está tudo orientado, para eu ter calma que elas tomam bem conta deles.
Eu só choro, mas sei que tenho de me acalmar senão a tensão ainda dispara outra vez. Ouvir a Princesa no ctg acalmou-me, ela está bem e isso é o mais importante.
Já passava das 23h quando vou para a sala de partos nº2. A enfermeira diz para eu tomar um duche se quiser que depois vem para colocar o ctg. O Maridão aqui já está comigo e não saiu mais de ao pé de mim. Tomo um duche e que bem que me soube. Continuo a sangrar.
A enfermeira coloca-me o ctg portátil, posso andar diz a médica desde que a bebé esteja bem.
Passei a noite acordada, quando finalmente estava a adormecer, nasce um bebé na sala ao lado e que chorou muito, mas muito a noite toda. Começo a notar que as contracções ficam regulares, a cada 5 minutos tenho uma e começam a ficar mais prolongadas, mas a dor ainda não é nada de especial.
De madrugada começam a encurtar, de 3 em 3 minutos tenho uma e já doem. Mas aguentam-se e aqui sei que é hoje, dia 28/09/2010, dia de aniversário da minha Mãe, que vou conhecer a minha menina.
Perto das 8h o Mário liga para saber dos rapazes, estão acordados, a tomar o pequeno-almoço. Tudo orientado, não se preocupem que estão bem.
Eu só penso no que o Cunquinha estaria a pensar....mas com a Amma e a Tia deve estar bem distraído e todo feliz.
Já passava das 9h quando começo a não aguentar as contracções e chamo a enfermeira. De 3 em 3 minutos tenho uma que dura 1 minuto e doí que se farta.
Ela pede para me deitar e diz que não tenho dilatação nenhuma! Como assim? Como tenho estas contracções e não tenho dilatação?
A enfermeira, Amália, um amor de pessoa, olha para o ctg e diz que realmente não é justo....diz que vai falar com a anestesista para ver o que se pode dar para aliviar porque epidural não posso ainda. Só sei que sem dilatação e com estas dores não aguento muito mais horas, está a ser demais. E só estou bem sentada num banquinho que havia debruçada contra um balcão....
No meio das contracções a enfermeira pergunta se já tínhamos decidido o nome. Digo que não, o marido diz que sim, que gosta mesmo de Mariana. A enfermeira diz que é um nome muito bonito, eu cheia de dores, concordo, sim, que seja Mariana, que tenha um nome sim quando nascer. Mariana ficou!
Pouco depois vem a anestesista, uma espanhola, uma querida, falar comigo. Continuo sem dilatação e ela fala-me numa anestesia que se dá nestes casos. Que prepara tudo como se fosse epidural, mas administra outra coisa, que às vezes resulta, outras não. Bolas, que resulte por favor!
Quando ela termina este processo todo já era perto das 10h. Sei que os meninos estão entregues na escola e estão bem.
As dores não passam, noto que as contracções ficaram mais curtas, mas a dor não passou.
Entrou uma médica, que eu conheço e não gosto. Fui a uma consulta de ginecologia com ela há uns 4 anos e não gostei, nem lá voltei. Ia-me dando uma coisa! Ela faz o toque e diz que tenho 5 dedos. Como 5, se há meia hora tinha 0 ? Tem 5 sim!
A anestesista pergunta então se quero epidural e digo que sim, pois a outra nada me fez!
A enfermeira faz o toque a seguir e tenho 7! Já 7?
Não tenho bem noção, mas deve ter sido uns 15 minutos depois digo que preciso de fazer força, as dores estão diferentes, quero fazer força. Não faz nada diz a enfermeira e ao fazer o toque diz que já tenho a dilatação completa! Foi tão rápido, tão rápido, passei de 0 a 10 em pouco mais de uma hora, sem oxitocina, sem nada.
Ela diz para eu esperar, pois nada está preparado, foi tudo muito rápido. Veste a bata, chama pediatra, passa a cama para cadeira, eleva as pernas, foi um corropio de coisas para fazer muito depressa.
Lá me dá ordem para fazer força quando quiser e eu assim fiz. A bebé desce um pouco, mas a cabeça não passa. Continuo a fazer força com ajuda da enfermeira, o Marido sempre ao pé de mim e o pediatra, um rapaz novo também apoiou. Mas a cabeça não passa.
Parece que o meu arco do períneo não é curvo, mas recto e a cabecita dela batia lá e não passava.
Vou ter de chamar a médica, diz a Amália. E veio ela, a que eu não gosto, mas tento abstrair-me disso.
Peço-lhe para não fazer episiotomia. Ela vê, faço força mais uma vez, a cabeça não passa mesmo. Ventosa será e peço novamente para não fazer episiotomia. Ela diz que ventosa tem de ser, eu respondo que o meu parto há 2 anos foi com ventosa e sem episiotomia. Ela não fez, mas a ventosa não resultou, a cabeça dela subia e fugia da ventosa. Um enfermeiro colocou-se em cima da minha barriga para a empurrar, mas não resultou. Fórceps....episiotomia...não me safei. Assustei-me quando ouvi fórceps, mas a verdade é que não senti nada e mais um empurrão e a Mariana nasceu.
Nasceu no dia da sua DPP, dia em que completou 40 semanas de gestação, dia de aniversário da sua avó materna que teve o melhor presente da vida. Eram 11h50 da manhã quando chorou e foi colocada em cima de mim. Igual ao seu irmão Tomás mas com muito cabelo.
51,5cm de comprimento, 3kg660 de peso e 35,5 cm de perímetro cefálico. Linda a minha Princesa.
O enfermeiro e o Pai vestiram-na e nem meia hora de vida tinha e já mamava satisfeita.
O mau deste dia foi que em vez de ficar 2 horas de recobro na sala de partos, fiquei mais de 8 horas por não haver quarto disponível para mim, nem para as outras que tinha tido bebé nessa noite e manhã. Houve muitos nascimentos, muitos mesmo. Eram 20h30 quando subi para o quarto nº 503 o que fez com que não tivesse visitas nesse dia e não vi os meus filhos. Estava a morrer de saudades.
O maridão entretanto tinha ido para casa ter com eles e uma enfermeira minha amiga estava comigo.
Quem me trouxe a mala foram os meus pais e irmã que vieram conhecer o novo membro da família.
No dia seguinte, dia 29/09, dia em que o David fez 6 anos, o Pai levou as prendas para a maternidade e foram-me visitar. Nem sei descrever o brilho nos olhos do Tomás quando entrou no quarto e me viu. Irradiavam felicidade e pareciam dizer: afinal a minha Mãe não desapareceu, ela existe! Veio a correr, trepou a cama e abraçou-me tão sentido e forte. Que saudades dos meus meninos! O meu bebé e o meu menino crescido!
Depois já só queriam beijar a mana, mas pronto....tive uns minutos de mimo, não foi mau :)
E eu só penso.....se eu não tivesse ficado internada naquela noite, com a rapidez que tudo se desenrolou, a minha filha nasceria provavelmente a caminho da maternidade ou num corredor lá...!






