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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Destes dias

Há a reportar uma ida às Urgências no sábado de manhã. O Peste na 5ª à tarde começou a queixar-se muito do ouvido, na 6ª a mesma coisa. No sábado já não aguentei vê-lo assim e liguei para o Sta Maria, falei com uma Otorrinolaringologista que me disse que era melhor ele ser visto. Fomos atendidos na urgência desse serviço e saímos de lá com diagnóstico de infecção no ouvido direito. Mudou de antibiótico e receitou gostas.
Foi muito penoso durante 3 dias ter de pôr 2 gotas em cada ouvido 2 vezes ao dia. Ele berrava cada vez que entravam no ouvido. Mas já passou.

Finalmente na 3ª feira diz que já não lhe doí os ouvidos. Finalmente!

Hoje de manhã foi visto pelo otorrino que o operou. Tem o ouvido esquerdo infectado desta vez. Vai pôr novas gotas, durante 7 dias. Já pode comer tudo o que quiser mas tem de ser à temperatura ambiente. Durante a semana toda que vem não pode ainda saltar, correr, nem andar de bicicleta. Pois, pois, correr e saltar está ele farto de fazer. É impossível pedir a uma criança com bicho carpinteiro para estar sossegada! Já pode ir para a escola para a semana mediante estes cuidados.

No outro fim-de-semana já pode comer coisas quentinhas. É visto novamente dia 30 de Janeiro.


Pergunta do dia:

"Mãe, como é que a Lua e as estrelinhas se seguram no céu?"


Adenda - respondi que a Lua e as estrelas são mágicas e que flutuam no ar. Interessou-se tanto pela palavra flutuam que a repetiu várias vezes!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sensações

É certo que cada pessoa sente de maneira diferente as mais diversas situações por que passa. Duas pessoas que passem pela mesma experiência, vão ter sensações diferentes sobre a mesma.
Eu sou uma pessoa muito sensível. Sou. Sinto tudo muito à flor da pele. No que diz respeito aos meus filhos sinto tudo com uma dimensão gigantesca e a mais ténue preocupação é por mim vivida de uma forma muito intensa. Ao mais pequeno nervo, fico com lágrimas nos olhos e sem eles por perto, choro. Sou assim, sempre fui, assim serei. Não há nada a fazer.
No entanto posso parecer muito forte a quem me rodeia.

Nó na barriga

É o que sinto cada vez que penso e visualizo o David a desaparecer com a enfermeira para a sala de operações. Doí-me a barriga pensar nele a soprar no balão e adormecer ao pé de estranhos, sem mim naquele momento tão, mas tão difícil e no qual ele se portou com uma coragem invejável. Lágrimas surgem quando penso nas enfermeiras a picá-lo para pôr o soro, no cirurgião a "mexer" no corpo onde ninguém deveria ter de "mexer" de tão perfeito que é para mim.

Aperto no coração

É o que sinto quando oiço cá dentro ele a chamar por mim, adormecido e desorientado, mas era Mãe que ele dizia. Impotente me senti por não ter lá estado antes quando ele ainda dormia. Aqui falharam as enfermeiras, ou então foi ele que acordou antes do previsto. Não sei.


De culpa

Foi o que senti na 3ª feira ao jantar, quando por mero hábito nos sentámos todos à mesa para jantar. Ele com um prato de papa fria e nós com massa e molho de tomate que ele adora. Culpa que me corroí de cada vez que ecoa esta pergunta no meu pensamento: "Mãe, quando essa comida estiver fria, eu posso comer, não é?". Como fui tão insensível? Logo eu, que tenho tanto cuidado com os sentimentos dos outros e acima de tudo dos meus filhos? Como não pensei nisto? A partir daí não comemos mais juntos. Tem comido ele e quando já está na fruta, gelatina ou gelado, comemos nós. É horrível recusar comida a um filho, a seja quem for, mas a um filho custa muito. Mas ele compreende. Mas está farto, muito farto de não poder comer "comida".
Hoje comemos juntos. Ele já pode comer "comida". Almoçou frango desfiado com esparguete e jantou peixe desfiado com arroz. Ambos servidos para o frio e ambos muito cozidos. Ele conta os dias para poder comer comida quentinha...Está farto o meu menino...

Impotência

É o que sinto por não lhe poder tirar as dores. Hoje queixa-se do ouvido. Muito. A cera escorre e gastam-se por aqui dezenas de cotonetes por dia. Diz que a garganta já não doí, ao menos isso.
É o que sinto também por não conseguir que estes pensamentos se alheiem a mim. Gostava de os arrumar a um canto. Há pessoas que conseguem fazer isso. Eu não, pelo menos no que toca a quem me é querido. Não consigo pura e simplesmente esquecer o dia de 3ª feira e estes que lhe seguem, está a ser penoso para ele...


Tristeza

É o que sinto quando olho para ele e o vejo farto de estar em casa. Nós bem que brincamos com ele, até porque ele não brinca sózinho, nunca brincou, tem de ter alguém com ele. Sempre. Mas chega a um momento em que temos de fazer coisas de adultos em casa, temos de tratar do irmão, jantar e afins e a mágoa reflecte-se no seu olhar...hoje disse-me que tem saudades dos amigos, da escola e eu não o censuro. Mas ainda tem mais uma semana pela frente em casa, ele, eu, o irmão e o Pai tem meia semana. Acho que vamos dar todos em loucos.

Orgulho

É o que sinto por ele. Enche-me o coração e rebenta-me as medidas. Por tudo o que passou, por tudo o que está a passar está a demonstrar uma força de carácter e uma compreensão fenomenal para um menino de 4 anos apenas. Parece um Homem.
Podia era compreender também a parte de que não pode saltar e correr....mas para quem tem bicho carpinteiro é complicado...

Arrependimento ou não...

É o que sinto quando ele fala em tom rebelde e em alta voz anuindo o "eu quero, posso e mando" graças às benesses que aqui a excelência sua Mãe lhe tem dado estes dias. Mimo, muito mimo. Ele merece e terá todo o mimo...arrepender-me-ei?

Amo-te tanto Peste!
Obrigada por nos surpreenderes pela positiva!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O Peste foi operado hoje

Às 8h chegámos ao Hospital. O Peste estava bem disposto e preparado para o que se seguia. Sabia tudo o que ia acontecer e que ia pôr tubinhos nos ouvidos. Retiraram também os adenoides, mas essa parte não lhe expliquei, acho que era demasiado abstracto e complicado de explicar.

Às 8h20 chamam-nos para ir para o quarto. A ele e outra menina de 8 anos que ia ser operada ao mesmo. A Rita (Educadora de Infância) sentou-os na cama lado a lado e explicou-lhes o que se iria passar. Um espectáculo ela, querida, simpática, alegre! O Peste estava bem e explicou-lhe que estava ali para pôr tubinhos nos ouvidos. Eu estava a controlar-me....mas as lágrimas estavam a ameaçar....isto é duro para o coração de uma Mãe.

Após esta conversa/preparação vestiram os pijamas do Hospital e fomos para uma salinha cheia de jogos, livros e com TV perto do bloco à espera da chamada. Por esta altura os meus nervos ganharam e já não me sentia capaz de esconder, estava a rebentar e chamei o Pai e fui para a sala de espera deixar caír as lágrimas....tinha de as soltar. Poucos minutos depois o Pai chama. Estava na hora. A Rita diz ao Peste para ir com a enfermeira soprar no balão da máscara e que quando acordar a Mãe ou o Pai estão ao pé dele. Isto foi tudo tão rápido que eu nem me apercebi que ele estava a ir com ela e eu já não o ia ver mais até ao final da operação. E quando me apercebi, desatei num pranto à frente de tudo e de todos. É que eu disse ao Peste que ia estar com ele até adormecer....senti-me tão mal, tão mal, só me apetecia vomitar....mas o Maridão e a Rita lá me acalmaram, mas ninguém me tira o sentimento de culpa...

Foi angustiante aquela meia hora, 40 minutos....dei maminha ao Tomás para garantir que ele estivesse bem para quando o David acordasse eu estar ao pé dele.

Às 9h20 oiço lá dentro alguém dizer "David" e fui a correr. O Dr. disse-me que tinha corrido muito bem e que ele tinha uns adenoides enormes. A enfermeira vestia-me a bata e disse que ele estava acordo a chamar por mim e eu fui a correr nem sei para onde, só queria ir ter com ele...lá me indicaram a porta, nem deixei que me acabassem de vestir a bata....só ouvia: " a Mãe...a Mãe" queria lá eu saber da bata...

Não é fácil descrever o cenário, vi o meu filho como nunca o vi...deitado numa cama, a gemer, contorcia o corpo todo, completamente desorientado...abracei-o, beijei-o mas ele não parava de se mexer na cama, os olhos fechados, a choramingar...sentei-me na cadeira com ele ao colo. Assim, abraçada a ele, a falar-lhe e ele a sentir o meu batimento cardíaco era mais fácil de acalmá-lo. Mas ele mexia, contorcia-se tanto que foi preciso muita força e ginástica para o ter bem seguro ao meu colo. E lá chorava, gemia, acalmava e depois começava tudo de novo.
Normalíssimo, diziam as enfermeiras.

Quando finalmente consegui que ele me respondesse e vi que ele percebia o que eu dizia, fiquei aliviada. Vi que ele estava bem e já reagia. Parece-me que ele acalmou quando percebeu que estava ao meu colo e que eu estava ali. Repeti vezes sem conta que a Mãe estava ali, o Pai, o mano e a Amma estavam lá fora. Que ele estava no Hospital, que tinha sido operado.

Depois lá falou e a 1ª coisa que disse foi: "quero ir para casa..".
Sossegou e adormeceu no meu colo, um sono bem profundo e assim ficou mais de meia hora.

Perdi um pouco a noção das horas mas deviam ser 11h e pouco quando fomos para o quarto (o inicial). Passei-o para a cama e ele acordou e ficou muito assustado. Não pude largar a mão dele até chegarmos ao quarto tal era o medo dele que eu fosse embora.


(Dai com o ursinho que assistiu à operação)

Ficámos no quarto até perto das 13h altura em que teve alta e viemos para casa. Houve grande choradeira quando lhe retiraram o tubo da veia canalizada porque lhe doeu. Queixou-se muito de dores de garganta, aliás ainda se queixa, custa-lhe a engolir. Lemos os livros todos e jogámos os jogos todos que havia no quarto.

Agora são 3 dias de dieta líquida e frios. Após estes pode começar a comer massinhas bem cozidas, frango desfiado, mas tudo à temperatura ambiente até ser visto dia 11. Ao 3º dia pode lavar o cabelo, com algodão embebido em vaselina nos ouvidos. Estes 3 dias não pode saltar, correr, enfim estar quieto e sossegado (quero ver como vai ser, ai quero, se hoje já se pôs a correr e a saltar!).

Hoje bebeu 1 iogurte líquido, comeu 1 gelado, 1 iogurte, deu 4 goles de um sumo e comeu meio prato de papa. Não está mal! Está tão bem educado que diz que não pode comer muitos gelados senão faz dores de barriga e cáries LOL!

Portou-se que nem um Homem o meu Peste!
Eu, eu não quero passar por isto NUNCA mais!


Adenda: acordou (23h) a chorar...tossiu e saíu um pouco de sangue (ele não viu). Chorou, chorou com a boca cheia de saliva. Ele teima em não engolir, foi assim o dia todo, cospe a saliva na sanita, mas agora ensonado nem cuspir queria....chorou e mais tossiu....aproveitámos para dar os xaropes e foi um drama! Mas lá conseguimos e lá adormeceu novamente com a boca cheia de saliva...espera-nos uma longa noite...