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quinta-feira, 29 de maio de 2008

A minha maneira de ser Mãe

Sou Mãe, com todos os sentimentos que este privilégio concede.

Sou Galinha, sim e admito que sou. O Peste é o que de mais importante tenho na vida, tenho pavor que algo lhe aconteça, tal como qualquer Mãe.

Sou Possessiva, sim. Mas também o sou com o Maridão. Já o sou com o Pilonquê. São meus. Ponto final.

Sou Super-Protectora. Não, não sou. Sou protectora q.b. Protejo nas alturas que acho que devo proteger. Se puder poupá-lo a algum sofrimento, poupo-o, qual a Mãe que não o faz? Mas não sou daquelas que ampara todas as quedas, não sou daquelas que anda atrás dele e passa o tempo a proibi-lo de trepar, brincar, correr só porque pode caír e magoar-se. Não, não sou assim. Aliás, pelo contrário, gosto que ele seja aventureiro e não tenha medo, eu era assim. Só me chateia a berraria que é quando se magoa e depois é tão vítima que coxeia ou não usa o braço onde se aleijou.

Sou Babada. Sim, muito! Tenho muito orgulho no meu filho. Tenho orgulho na sua inteligência, na sua sensibilidade, no seu sentido de justiça, na sua prontidão em ajudar o próximo. Tenho orgulho na sua aptidão para o desporto, na sua fragilidade, na sua perspicácia. Tenho muito orgulho no meu filho, muito mesmo!

Sou altruísta. Sim. Já fui mais egoísta ou possessiva ou lá o que lhe queiram chamar com ele. Lembro-me dele em bébé e a minha Mãe estar sempre a dizer que ficava a tomar conta dele se eu quisesse ir às compras, jantar fora ou ao cinema. Rara foi a vez que tomou conta dele até ele fazer 1 ano, 1 ano e meio. Sei lá porquê. Bom, sei, eu queria-o sempre ao pé de mim, queria senti-lo junto de mim e a Mãe era eu logo eu é que tinha de tomar conta dele. Escrevo era, mas sou assim ainda e penso assim, mas muito mais moderada. Aprendi a soltar-me e desde que ele fala e opina que lhe dou a escolher o que o faz mais feliz. Não o obrigo a vir jantar fora comigo e o Pai se ele prefere ficar com a Amma e o Afi. Que prefere quase sempre, sabe que brinca mais e tem um serão diferente. No Restaurante tem de portar bem e já não tem tanta piada. Compreende-se.
Aprendi a ser muito mais altruísta e não foi difícil, porque aprendi que ao deixá-lo escolher, ele está a fazer o que o faz ficar feliz. Ele fica feliz, vejo-o no brilho dos seus olhos e no sorriso traçado nos seus lábios. Sem contar na auto-estima que lhe incuto e construo ao deixá-lo escolher o que Ele quer fazer. Que mais quero? Qual a maior recompensa que posso ter como Mãe? Saber o meu filho Feliz!

Lógico que todo o tempo livre que temos passamo-lo com ele, claro. Temos os fins de tarde e os fins-de-semana sempre juntos. Os 3. Brevemente seremos 4. Mas eu não vou obrigar o Peste a ficar em casa em pleno Verão só porque eu ainda não recuperei do parto ou porque está demasiado calor para ir para a praia com o bébé. Não sou Mãe de achar que recém-nascido tem de ficar em casa. Nada disso, o Peste mal eu recuperei começou a passear. Mas convenhamos que se estiver demasiado calor e claro, depende do sítio escolhido para ir, eu provavelmente não irei com o bébé. Mas isso não impede o Peste de ir passear com o Pai. Não, nem pensar que sou egoísta/possessiva ao ponto dele ter de ficar em casa ao pé de nós, só porque nós não podemos saír. Não, não acho que a família TEM de estar junta. Acho até que irá ser um período em que ele vai criar um belo vínculo com o Pai e não tenho receio nenhum de perder algum vínculo com ele. Porque sei que não. Cada um de nós tem um lugar na sua vida e no seu enorme coração.

Aliás, vejo o quanto fortaleceu a relação dele com a minha Mãe, enquanto estive de muletas e não podia conduzir. A minha Mãe é que o ia pôr e buscar à escola e ele adorou esta quebra na rotina, até o caminho para a escola era diferente. Quando o tempo permitia a minha Mãe jogava à bola com ele no jardim, regavam as flores, davam de comer aos peixes e biscoitos aos cães. Eu estava por ali perto, tentava jogar à bola (louca!) mas ele não queria, dizia que só quando tirasse as muletas é que podia. Observava-os e ficava de coração cheio. Ele está feliz, está bem entregue. Não vou dizer que não sentia uma pontinha de cíume ou inveja, porque claro que queria ser eu a fazer aquelas coisas, mas depois pensava: porque é que ele não há-de ter estes momentos/rituais com a Amma? Porque é que hei-de vedar por puro egoísmo uma relação tão bonita entre Avó e neto, relação que os faz tão, mas tão Felizes?

Cresci, sim cresci muito e não tenho vergonha de o admitir. Vivemos aprendendo, eu estou em constante aprendizagem e esta lição aprendi. Não o posso ter numa redoma, não o posso proibir, nem quero!, de estabelecer estes vínculos tão fortes que ficarão com ele para a posteridade.
Agora estou bem, jogamos à bola todos os dias, mas se a minha Mãe aparece, ele convida-a logo para o jogo. E depois vão regar as flores e dar comida aos animais. É uma rotina deles e eu observo-os feliz!

Não digo que esteja preparada para o deixar ir para uma festa de anos sózinho por exemplo. Não estou, por enquanto e ainda bem que nem sequer surgiram ainda convites. Talvez aos 4 anos e depende de eu conhecer bem os pais ou não. Ah, pois, que isto hoje em dia não se confia em ninguém.

Não estou descansada com ele na praia, não por não confiar em quem toma conta dele, mas por não confiar em todas as restantes pessoas que por ali passeiam. E sim, todos os dias lá irei espreitar, porque só assim me sinto bem.

Não digo que não entro em parafuso cada vez que penso que vou estar 2 noites/dias quase sem ele quando for para a Maternidade, porque estaria a mentir. Fico com a mente ofuscada, forma-se uma névoa cada vez que penso nesses dias, mas sei que estará bem entregue, sei que terá quem lhe dê os mimos que não vou dar, sei que terá quem lhe dê os beijos de boa noite e lhe sussurre no ouvido que a Mãe o Ama Tanto, Tanto, Tanto.

E quando regressar a casa compensaremos os momentos perdidos, mimar-nos-emos como só nós sabemos e tudo ficará bem. Estou mais tranquila.

Sou Feliz. Sim, sou uma Mãe Feliz, ele faz-me feliz, ele dá sentido à minha vida.


Hoje, meu Pestinca lindo, Amor da minha vida, Paixão do meu Ser, Sol da minha Vida, completas 8 meses aos teus 3 anos que tanta felicidade me trazem. Amo-te Tanto, Tanto, Tanto!

27 comentários:

sil disse...

Eu acho que a maior parte das mães são assim como tu...

Claro que eles vão crescendo e nós vamos mudando as nossas atitudes...

Eu por exemplo, com o JP já lhe dou muito mais espaço, já o deixo ir a festas, já o deixo passar uma noite em casa de um amigo (que tenhamos confiança com os pais)...custa-me sempre um pouquinho...mas em compensação com o Afonso sou como tu...

Mas somos e seremos sempre GALINHAS..temo tanto pelos meus filhotes...ouve-se e vê-se tanta coisa...olho para o meu JP (lindo de morrer-aos meus olhos, claro) e tenho um medo terrivel que mo levem... na praia, em parques, onde existe muita gente...entro em pânico...

Somos assim...mas somos tão FELIZES por eles serem nossos...

Bjos
Sil

Cristina disse...

Nalguns aspectos, identifico-me contigo. É raro deixarmos a Leonor com a famelga. Por isso, sempre me apelidaram de mãe galinha. Andamos sempre juntas. Sempre a levamos para todo o lado.
E hoje em dia, ela é que pede para ficar em casa dos avós ou dos tios. E nós só a deixamos quando é mesmo necessário...
Depois da Mariana nascer, continuamos a fazer tudo a quatro. Mas sinto-me menos protectora. Altera-se muita coisa com o segundo filho. O coração apazigua-se, cedemos mais e descontraímos...

Cristina

Unknown disse...

Que sorte, ter uma mamã assim :)
Beijocas

Cris disse...

Bem... tu hoje fizeste cá um testamento!!

És uma super mãe, sem dúvida! O mais importante é estares feliz e fazeres feliz quem te rodeia.

Parabéns por mais um mesinho do peste.

Beijinhos.

O Príncipe Duarte disse...

É natural querermos ter sempre os nossos filhos por perto.

Eu não largo o Duarte a não ser para vir trabalhar.

Nunca fica com ninguem a não ser nos momentos q foi bricnar na casa do vizinho de cima ou qd eu vou fazer depilação e ele fica na casa da minha irma que é na porta em frente á depilação ( lol ). Ate´para o cabeleireiro ele ja foi comigo pois o pai não estava.

Lamento todo o tempo q ele passa longe de mim no infantario e então quero-o comigo sempre.

Mas como ele cresceu, tb já dou comigo a pensar no que o faz mais feliz. Por exemplo vi que o fazia + feliz ficar a brincar na casa da vizinha do que fechado em casa comigo naquela altura. E por isso o deixei. Mas confesso q da 1ª vez fiquei de ouvido "colado ao tecto" para tentar ouvir se ele chorava, etc.
O que me vale é que até não sou mãe mto stressada.

Bjs

alice+duarte

Os Nossos Dias... disse...

Eu vou deixar a Bia a dormir na avó pela primeira vez este Sábado...e sabe deus o que me está a custar...vai fazer-nos bem e eu sei que ela está mais do que bem...
Vamos fazer um clube de Mães Galinha????
Beijocas Gandes

Nucha disse...

Como sabes, não sou tanto de as ter "debaixo da asa", mas compreendo muitos dos teus pontos. Penso que amá-los também é libertá-los, para eles terem as suas conquistas (como ele fez ao dar a mão à Patrícia no jardim zoológico); o que não quer dizer que te afastes - estás por perto, mas ele precisa de dar os passos sozinho. Mas acho que estás no bom caminho :) já não estás tão "gansa".

E acima de tudo, leio com alegria que estás "mais leve" em relação ao parto do Tomás e deixar o David com o pai ou avós. Ele precisa disso; fortalecer as relações dele com eles e vai precisar dessa atenção dedicada que eles lhe vão poder dar nesse momento e tu não. Tal como tu vais precisar de dar toda a tua atenção ao pequenito nos primeiros dias.

Concordo inteiramente com a Cristina; o coração apazigua-se. E é isso mesmo que tem que acontecer. Por ti e pelo D.

Um grande beijinho

MMCS disse...

Somos iguais em muitos pontos, principalmente naquele em deixá-lo com alguém que não eu antes de ele fazer um ano. Mas depois de o ter deixado com 16 meses na casa da avó para eu e o marido irmos 10 dias para Punta Cana, agora já me custa menos, mesmo assim é só em último caso que o Miguel dorme fora LOL. Aliás, desde essas férias que ele nunca mais dormiu sem ser cá em casa.
Uma grande beijoca!

Anónimo disse...

olá

identifiquei-me tanto com a tua descrição. O G. tem 27 meses e só dorme fora mesmo em situações especiais. Alias ainda no outro dia eu e o meu marido estavámos a falar e a comentar que um dia iamos ter que passar um fim de semana sem ele... mas nenhum de nós está preparado para isso...ainda bem que estamos os dois de acordo :o)))
fico com o coração apertado so de pensar em ficar ferias ou fim de semana sem o meu principe.. acho q talvez quando engravidar do segundo consiga mas para ja.. não da..se fizerem um clube de maes galinhas..eu faço parte..

Mamã Pirata disse...

Sábias palavras!
Aprendemos mto com os n/filhos.Aprendemos a ser um ser humano melhor.

Gostei mto do que li,nasceste pra ser Mãe:)isso é bom.

PARABENS!

Bjs aos teus bebés.

me disse...

Revejo-me em muitas das tuas palavras.

O G. dormiu a primeira vez fora de casa aos quatro anos, nas vésperas de uma viagem que fizemos a Roma e que ele não foi connosco!

Sou um bocadinho mais galinha, não sou? - mas também já estou melhor :)

Vamos criar uma assiciação de mães-galinhas?
Bjokinhas

Docinho disse...

Posso assinar em baixo???
posso???

é que é muitoooooo parecida... esta mãe aqui!

beijo galinha

sonho de bebé disse...

Há muita coisa em que sou igual a ti. Mas é como tu dizes estamos sempre a aprender. Ser mãe é muito dificil mas quando ultrapassamos as adversidadedes que são inerentes a essa condição nada nos deixa mais satisfeitas.
Mas eu acho que és uma boa mãe!
Beijinhos

Vendas disse...

Quando fiz o comentário no post da praia não foi num sentido pejorativo, acho que entendeste, certo!?

É lógico que todos nós queremos o melhor para os nossos filhos,protê-los e ampará-los nas quedas, mas também sabemos que é caíndo que eles aprendem a erguer-se e seguir em frente.

O mundo está do avesso e há muita gente mal intencionada, nós temos que mostrar-lhes que essas pessoas existem, e eles nunca são pequenos demais para terem essas noções...

Eu num post escrevi que quando vou a algum lado, hipermercado ou até parque nunca tiro os olhos dele, porque sei que são locais de risco.

Em relação à praia já sabes a minha opinião!

Bjs

Zá disse...

Maria que post lindissimo, tão sentido, fiquei emocionada, juro!
Revejo-me em muito do que escreveste, e como já te acompanho há algum tempo posso dizer que pelo que li estas realmente a fazer mudanças, a deixa-lo voar... e isso custa claro que custa, mas ser mãe também é isso.
Um beijo enorme para ti que és uma inspiração para quem te lê!

Beijnhos

Álefe Souza disse...

Amiga, somos igaizinhas!! RSrsrs!! Sou assim também!!!! E nem me fale em ir a festas só!! Vou junto!! Kkkk!!!

Unknown disse...

ai como me identifico !!!
Mães ....."prontus"

beijos da carla :)*

mamã disse...

E és uma Excelente mãe... nunca tenhas dúvidas dissso!

BJs grandes

María disse...

Belita,

Nem pensei tal coisa :)

Bjnhos grandes

Anónimo disse...

És mesmo uma mãe verdadeira! Revejo-me na maior parte das coisas que escreves-te. Ser mãe é mesmo a melhor coisa que há no mundo, não achas? Pouco depois de a Dani nascer li um artigo sobre 10 coisas que mudam quando se tem um bebé ... e revi-me em cada um deles.
Beijocas
Lurdes

Mónica disse...

Adorei ler este post! Li-o sem piscar um olhinho!!
Bjinhos

Carla - Vida a 5 disse...

Não sou nada possessiva, sou bastante desprendida e tento ao máximo incutir a independencia.
Preocupo-me, até muito, mas não perco o sono porque ela vai para a praia com a escola.
Fico sempre a olhar para o relogio até às 13h, se não me telefonaram está tudo bem. A essa hora já estão de volta e voltaram todos, caso tivesse acontecido alguma coisa ligavam-me.
A 1ª vez que passei um fim-de-semana fora sem a Patrícia ela tinha 8 meses, o 2º dia custou a passar, mas deu para descansar.
Depois disso já as deixei 2 vezes as duas, mas normalmente onde nós vamos elas também vão.
Mas entendo-te, talvez a parte do seres possessiva não, mas cada um tem a sua maneira de ser e se é feliz assim e quem te rodeia também, continua.

Bjs

Anónimo disse...
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Inês de Castro disse...

Este teu auto-retrato como mãe está simplesmente fantástico...MESMO!
Identifico-me com algumas coisas...gostei tanto de ler.
Parabéns pelos 3 anos e 8meses do teu Pestinha.
Beijocas

Cláudia disse...

E o tempo voaaaaaaaaaaaaa...
mamã qq dia vais ter que o dividir com uma rapariga...
;)

Bjs grandes

(já faltou mais tempo... e como os miúdos cada vez são mais precoces...)

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Ana disse...

Como me identifico com o que escreveste....

Bjs